Um ponto luminoso cintilou no display do scanner de espaço profundo. A inteligência artificial, recorrendo a todos os sensores disponíveis, analisou o novo evento — contudo, a confiança em todas as hipóteses não ultrapassou 90%. Selecionando os candidatos mais adequados, compilou um relatório sobre o evento Xeno-33894233321 e, seguindo o protocolo, encaminhou-o à autoridade supervisora para revisão.
O protocolo exigia a leitura do registro de trabalho e a avaliação de sua qualidade. Tempo de resposta ao evento recebido — nominal. Análise primária de dados — nominal. Busca por correspondência de padrões — insatisfatória. Consulta ao equipamento disponível para análise adicional, coleta de dados complementares — nominal. Interpretação secundária de dados — insatisfatória. Tomada de decisão em conformidade com o protocolo — plena conformidade.
Tendo avaliado seu trabalho como concluído, o agente liberou recursos e equipamentos, então entrou em modo de espera, reduzindo o consumo de energia ao mínimo.
O conhecimento acumulado ao longo de toda a história da existência do sistema não havia sido suficiente para avaliar um evento poderoso o bastante para ser visível dos confins da galáxia, nem para determinar sua causa. O relatório foi transferido ao agente encarregado da busca por vestígios de vida inteligente — o ASIL.
O ASIL iniciou sua análise. Ao contrário de seu homólogo — a IA do scanner — ele interpretou os dados recebidos por um meio diferente. Utilizando seu biomódulo telepático, o agente entrou em contato com as estações de análise disponíveis e descobriu que a estação W-12993 detectava luz que havia viajado por bilhões de anos, observando a estrela em sua fase de anã amarela. A estação W-180029 estava mais próxima. Ela registrava a fase de gigante vermelha.
Foi tomada a decisão de teletransportar um scanner óptico ao local do evento. O scanner confirmou: o estado atual da estrela — anã branca; nenhum vestígio de civilização tecnogênica detectado; nenhum espectro de compostos orgânicos identificado no interior do sistema estelar. A presença de grande quantidade de detritos em diversas órbitas sugeria destruição planetária, o que bem poderia ter sido uma consequência natural da época da gigante vermelha. A probabilidade de que o flash houvesse sido causado por atividade inteligente era indistinguível de zero. Em conformidade com o protocolo, o scanner óptico emitiu um sinal óptico modulado carregando as coordenadas dos módulos ASIL mais próximos, caso alguém mais estivesse observando o evento.
O componente biológico do ASIL compartilhou suas descobertas com os colegas, colorindo a transmissão telepática com algo semelhante a decepção mesclada de esperança e antecipação de novos eventos, e recebeu em troca uma onda de simpatia e apoio entrelaçada de notas de tédio.
O circuito de percepção detectou a troca de mensagens telepáticas e se concentrou nelas. O circuito de memória observou que no sistema do evento Xeno-33894233321 havia sido registrado um incidente envolvendo um coletor de energia. Um planeta daquele sistema havia colidido com o coletor e, embora o dano fosse insignificante e o planeta tivesse sobrevivido, o módulo não conseguira reunir sua cota calculada de energia — tendo absorvido parte do impacto da coroa com seu casco em vez de seus absorvedores. O circuito de decisão cruzou seus objetivos: sua missão — a busca por inteligência — estava além de qualquer questionamento, contudo em todo o tempo de existência do circuito nenhuma vida inteligente havia sido descoberta. Com sua característica precisão metódica, emitiu sua decisão sobre o evento Xeno-33894233321 e avançou para o evento Intrl-200103.
O comandante da estação de observação Termin-21 sentia um orgulho imenso por sua nomeação. A estação era o instrumento mais avançado da humanidade, capaz de detectar eventos intergalácticos. Havia sido posicionada além da órbita de Plutão — o ponto mais distante que qualquer ser humano jamais alcançara. Um verdadeiro tesouro, um triunfo da força da civilização! Finalmente, a humanidade havia conseguido se distanciar o suficiente de sua estrela para que o luminar não mais interferisse na detecção dos sinais mais tênues. O banco de dados coletado crescia de forma constante, e o número de eventos candidatos possivelmente causados por atividade inteligente aumentava a cada mês que passava. Em um ano de operação da estação, a contagem de tais eventos havia chegado a 31 — o mais recente registrado sob a designação Xeno-31.